Cada vez mais, as mulheres árabes estão acabando com o conceito que o mundo Ocidental tem delas. A odalisca? Ficou na história. As mulheres árabes de hoje são muito mais do que sensuais e donas de casa. A mulher árabe é forte e guerreira, pois tem que perdurar guerras e perdas de maridos e filhos para governos ditatoriais e sanguinários. A mulher árabe é a chefe de casa e a chefe no trabalho. A mulher árabe é muito mais do que imaginamos.

No início de março, três pilotos mulheres fizeram história ao serem as únicas mulheres conduzindo um voo comercial de Brunei à Arábia Saudita. A rainha Rania da Jordânia, utiliza sua vida pública para defender direitos das mulheres na região, focando no direito à educação e a libanesa Amal Alamuddin, advogada de direitos humanos e esposa de George Clooney, é um exemplo de que a mulher árabe está quebrando paradigmas e provando ser capaz de florescer em uma sociedade machista.

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Voo comandado por mulheres pousa na Arábia Saudita, país onde elas são impedidas de dirigir carros Foto: https://www.instagram.com/royalbruneiair/

 

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Amal Alamuddin

 

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rainha Rania da Jordânia

 

 

 

 

 

 

 

São exemplos de mulheres extraordinárias assim que inspiram adolescentes e jovens a pensarem não só em uma carreira doméstica, mas em uma vida de realizações profissionais também. “Eu admiro muito a Amal Alamuddin”, conta Deloris Nicolas Saad, colaboradora do Justice Without Frontiers, uma organização jurídica não governamental em Beirute que defende direitos humanos. “No Líbano existem dois extremos: as mulheres que encaram muitos obstáculos e não são livres para fazerem o que querem e as mulheres que vivem assim como as mulheres do Ocidente”.

A brasileira-libanesa Kátia Moussa, 49, cresceu no Brasil e conta que tinha o apoio em casa para estudar, mesmo que seus pais preferissem que ela trabalhasse a casasse “dentro da colônia”. Agora, Kátia mora no Líbano e percebe uma diferença de comportamento nas jovens criadas no Líbano. “As meninas aqui são muito mais liberais do que antigamente. São mais independentes, pensam mais em questão de trabalho e estudo”, conta.

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Orla Said com a família “Meus pais sempre nos trataram como iguais, sem distinção de gênero.”

A estudante de direito Orla Said, 20, diz que, ao escolher um curso na faculdade, pessoas mais velhas da família diziam que não poderia escolher uma profissão que tenha plantões noturnos ou longas horas diárias. “‘Quando vai ter tempo para casar?’ , eles diziam. No aspecto geral, qualquer carreira que eu fosse escolher, eu tinha que pensar em família e casamento primeiro. Desde criança, me falavam que tal brincadeira era coisa de menino e eu deveria me comportar mais como uma moça. Felizmente, tenho pais que nunca discerniram entre eu e meu irmão; sempre nos trataram como iguais, sem distinção de gênero. Até eles sofreram críticas por nos criarem assim”.

A universitária cita exemplos de mulheres na família que seguiram seus sonhos ao redor do mundo e alcançaram sucesso, mas infelizmente, não são todas as mulheres que tem apoio da família nestas questões de gênero.

O governo libanês mesmo, de acordo com um relatório de 2013 da ONG Human Rights Watch, não garante os direitos básicos da mulher como divórcio, custódia e o direito de passar a nacionalidade para os filhos. Um país que se diz moderno e um ponto de encontro do Ocidente com Oriente deveria trabalhar em união para garantir direitos iguais às mulheres e ajudá-las a quebrar barreiras.

Por Natalia Rabahi

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