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Para saber se moda é arte, é preciso conhecer definições de Moda e Arte: Arte geralmente é entendida como a atividade humana ligada a manifestações de ordem estética ou comunicativa, realizada a partir da percepção, das emoções e das ideias, com o objetivo de estimular essas instâncias da consciência e dando um significado único e diferente para cada obra. A arte se vale para isso de uma grande variedade de meios e materiais, como a pintura, a escrita, a música, a dança, a fotografia e assim por diante.

Moda é a tendência de consumo da atualidade. A palavra moda significa costume e provém do latim modus. É composta de diversos estilos que podem ter sido influenciados sobre vários aspectos. Acompanha o vestuário e o tempo, que se integra ao simples uso das roupas no dia-a-dia. É uma forma passageira e facilmente mutável de se comportar e, sobretudo de se vestir.

No Renascimento, a arte, assim como a costura, eram consideradas formas de ofício praticadas por alfaiates e artistas. A arte, com sentido de apreciação e movimento cultural foi uma evolução desse ofício. Para Svendsen (2010, p. 102), “Desde que a alta-costura foi introduzida, por volta de 1860, a moda aspirou ser reconhecida como uma arte de pleno direito.”. A alta-costura teve seu início com o alfaiate inglês Charles Frederick Worth e o francês Paul Poiret. Os dois alfaiates tinham em seus portfólios criações que eram verdadeiras expressões de sua criatividade. Era a primeira vez que um alfaiate exibia liberdade de escolha em seus tecidos, modelagens e composições. Apesar dessa aparente liberdade, os dois – agora conhecidos como estilistas – ainda dependiam da venda de suas peças para fazer disso o seu sustento. Sendo assim, ainda estavam presos aos gostos e vontades de suas clientes.

2A moda, desde o século XVII até os dias de hoje é carregada do seu caráter comercial. Apesar disso, muitas vezes, a Arte se apropria da moda e a utiliza como um canal para transmitir uma ideia ou sentimento e vice-versa. A moda atua de forma mais afirmativa, reforçando os valores estabelecidos pela sociedade de consumo, e a arte age de forma mais crítica, questionando e desafiando esses valores. Por esse motivo, a moda sempre procurou agregar valor aliando-se à arte.

Nos anos de 1980, observamos uma grande expansão da moda conceitual, assim como, anos antes, a arte também teve a sua divisão em arte Conceitual e arte pop. As grifes faziam desfiles-espetáculo com roupas magníficas, que movimentavam as suas maisons e mantinham o fluxo de consumo das mesmas elevado.

7 5“Essas roupas não foram feitas apenas para serem roupas-como-arte, mas também para funcionar como um investimento na marca, de modo gerar renda. Dissociar-se do mercado sempre foi uma estratégia importante para aumentar o capital cultural, mas o objetivo de aumentar o capital cultural da moda é em geral usá-lo depois pra aumentar o capital financeiro.”

(SVENDSEN, 2010)

A moda, quando se apropria de elementos artísticos para se expressar, perde o caráter comercial que a mesma carrega consigo tão fortemente, deixando de ser moda e se tornando algo eternizado e cristalizado pela estética artística. O fato é que moda e a arte sempre andaram juntas em uma relação de admiração e ojeriza usando de elementos uma da outra como uma forma de ascensão em momentos de crise. A moda, sempre carregada de seu valor altamente comercial, e a arte, com toda a sua carga emocional e simbólica, se complementam como dois braços de um rio: ora estão juntos, ora seguem seu caminho de maneira independente.

3Imagens:

http://www.metmuseum.org/

http://www.theguardian.com/

BIBLIOGRAFIA

SVENDSEN, Lars. Moda uma filosofia. São Paulo: Editora Zahar, 2010.

O conceito da arte e da moda ou da arte-moda? Disponível em: http://gramorelli.wordpress.com Acesso em: 08/07/2015.

 

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por Marcélia Bou Chebel

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