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O processo de aprendizagem de línguas é complexo e exige de alunos e professores dedicação e, sobretudo, muita paciência. Muito embora o começo do estudo traga enorme satisfação, pois ao pronunciar algumas frases e palavras nos sentimos parte integrante da cultura daquele povo ou país, há um momento em que necessitamos estímulo e claros objetivos para seguir adiante. Um bom professor, com uma metodologia adequada aos desafios do idioma e anseios do alunos, é decisivo para o sucesso dessa árdua tarefa.

 

 

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Professora Samar e sua aluna, a diplomata Daniele Luz, ensinando o árabe libanês Foto: Adam Jayme

 

O idioma árabe, considerado um dos mais difíceis, vem sendo, nos últimos anos, bastante buscado por alunos estrangeiros interessados em temas relacionados ao Oriente Médio. Aguçados pela mídia internacional com foco nas constantes crises da região, jornalistas, profissionais do mundo humanitário, analistas políticos, dentre outros, fazem parte do público que quer aprender o árabe para trabalhar ou estudar. Além disso, os membros da diáspora árabe, em particular a libanesa, espalhados pelo mundo, incentivam seus descendentes a se reconectar com suas raízes através do estudo da língua e da cultura de seus antepassados.

 

 

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Samar Awada com suas figuras, metodologia para facilitar a aprendizagem do árabe Foto: Adam Jayme

Muito embora sejam idiomas bastante distintos, os objetivos pelos quais novos alunos vem buscando o estudo da língua portuguesa são, de alguma forma, similares aos enumerados pelos que estudam árabe. A mídia internacional vem divulgando o desenvolvimento econômico e as tradições brasileiras com bastante freqüência nos últimos anos, o que certamente atrai um número grande de pessoas interessadas em aprender o português para trabalhar ou estudar no Brasil. Ademais, a conexão com os familiares que migraram para o Brasil ao longo de diversos períodos também é um dos objetivos bastante citados.

 

 

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Samar Awada Foto: Adam Jayme

 

A libanesa Samar Awada, experiente professora de árabe e tradutora de árabe-inglês, revela que “o árabe é um idioma difícil, considerado tão complexo como o chinês e o japonês”, razão pela qual disciplina e vontade de aprender são imprescindíveis para quem quer iniciar. Graduada em Comunicação, Tradução e Interpretação, Samar trabalha com o ensino do árabe desde 2001 e vem desenvolvendo, em conjunto com seu marido, um método próprio para estrangeiros interessados em aprender o árabe libanês.

 

A dificuldade em encontrar uma metodologia própria para o ensinar o árabe libanês despertou em Samar a vontade de produzir seu próprio material e, num futuro próximo, abrir uma escola de idiomas. Na sua minha opinião, no entanto, o maior desafio para os estudantes é que o árabe não é realmente um único idioma: “existe o árabe padrão moderno/formal (“Modern Standard Arabic” em inglês), que é usado na escrita formal e em transmissões midiáticas e então o árabe coloquial, que é o dialeto que as pessoas crescem falando em casa e em suas vidas cotidianas. O árabe formal é o mesmo em todo o mundo árabe, mas os dialetos diferem de país para país e até mesmo de região para região.” Os dialetos são diferentes do árabe padrão em vários aspectos significativos, razão pela qual Samar considera que devem ser ensinados como línguas distintas, especialmente para alunos iniciantes.

 

Dessa forma, a professora enfatiza que é fundamental que o aluno reflita sobre as razões pelas quais quer estudar o idioma, já que o árabe formal não é falado nas ruas, mas apenas utilizado em veículos de comunicação mais formais. Obviamente que o aprendizado completo da língua árabe implica em conhecer o árabe formal e um dos dialetos, mas o aluno deve optar por um caminho ao iniciar os estudos. Uma vez decidido, Samar enumera alguns desafios enfrentados: o uso de um alfabeto não-latino, escrito da direita para a esquerda; a dificuldade na pronúncia de palavras que possuem muitas consoantes juntas; um extenso vocabulário, com apenas poucas palavras que possuem alguma similaridade com outras línguas faladas no mundo.

 

 

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Gilmara Cerqueira Foto: George Rabbath

Quando o assunto é ensino do português, o Centro Cultural Brasil-Líbano oferece uma metodologia que privilegia o aprendizado do idioma através de uma imersão na cultura brasileira. Gilmara Cerqueira, brasileira residente no Líbano há nove anos, é uma das professoras integrantes do quadro do Centro, que vem recebendo, cada vez mais, alunos libaneses interessados no idioma e na cultura do Brasil. Graduada em Administração de Empresas, Gilmara iniciou sua carreira como professora ministrando aulas particulares de português e, desde 2012, leciona em tempo integral no Centro.

 

 

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Gilmara Cerqueira Foto: George Rabbath

De acordo com a professora, “um dos principais desafios para os que aprendem o português como segunda língua é, sem dúvida, a gramática,” porém enfatiza que talvez este não seja um desafio exclusivo do idioma português, mas também de qualquer outra língua que se aprenda a partir de uma certa idade. Ressalta, ademais, que o fator “idade” quase não se aplica aos libaneses, já que grande parte da população é alfabetizada em três línguas: árabe, francês e inglês.

 

O fato dos libaneses serem poliglotas pode também, na opinião de Gilmara, gerar um pouco de confusão durante o processo de aprendizado. Ironicamente, o que é visto como ponto forte, pode ser também considerado como ponto fraco, “já que a grande maioria dos libaneses é alfabetizada previamente em francês, por exemplo, uma língua pertencente à mesma família lingüística do português, e essa similaridade pode gerar confusões tanto na fala quanto na escrita.” Além disso, a professora enfatiza que a aquisição de uma quarta, às vezes quinta língua, torna alguns alunos bastante ansiosos e exigentes e muitas vezes os leva a queimar etapas do processo, na medida em que compreendem, desde o início, muitas palavras do vocabulário.

 

Diferenças à parte, é importante reafirmar que brasileiros e libaneses continuam a se conectar através do aprendizado de idiomas, e Samar e Gilmara são provas de que os laços estão cada vez mais estreitos. No último ano, aumentou o número de alunos brasileiros que, impulsionados pela família ou por aspirações profissionais, buscam Samar para cursos de árabe coloquial e formal. Por sua vez, o Centro Cultural, através de professoras como Gilmara, tem recebido muitos libaneses que, encantados com cultura brasileira ou por força dos laços familiares, mergulham no processo de aprendizado do português.

 

 

Para maiores informações:

 

Samar Awada

Tradutora, Intérprete e Professora de Árabe

Telefone: +961 3 241816

Email: sam.awada@gmail.com

 

Gilmara Cerqueira

Centro Cultural Brasil-Líbano

Mar Mitr Street, Trad Building, Achrafieh

Telefone: +961 1 322905

 

 

Ana Letícia B. Duarte Medeiros

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