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Safa Jubran

A coluna Connection Comunidade traz pessoas que se destacam pela sua atuação em sua área profissional e que contribui para a sociedade e desempenha um trabalho relevante para a mesma. Considerando o tema EDUCAÇÃO da nossa 4a edição, nada mais importante e primordial a valorização do professor, ainda mais quando o professor leciona árabe em São Paulo, Brasil.

Connection Beirut entrevistou Safa A. C Jubran, libanesa que veio morar no Brasil aos 19 anos. Ela é professora associada de Língua e Literatura árabe na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo- USP, autora, ensaísta e tradutora. Entre suas traduções para o árabe está o romance de Milton Hatoum, “Dois irmãos”, e entre suas traduções para a língua portuguesa, estão “Porta do Sol” do libanês Elias Khoury e ” Tempo de Migrar para o Norte”, do sudanês, Tayyeb Saleh. Atualmente é a chefe de Departamento de Letras Orientais da USP- Universidade de São Paulo.

C.B. A senhora leciona árabe no Departamento de Letras Orientais da USP, qual é a procura dos alunos para aprender o árabe?

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professora Safa Jubran com seus alunos da USP

S.J. A procura não é muito numerosa como para aprender inglês, por exemplo, mas tratam-se de pessoas interessadas, o que é mais importante. Quem procura o curso são pessoas que realmente querem aprender de fato.

C.B. E como a senhora enxerga a importância na aprendizagem de um novo idioma?

S.J. Com a aprendizagem de uma língua estrangeira, o estudante adquiri um horizonte mais largo que se estende diante de nossos olhos, formamos pensamentos mais abertos e tomamos um passo contra a ignorância e intolerância, pois na aprendizagem de uma língua está embutida a ideia e a vontade de conhecer o outro. Aprender o árabe, além de tudo isso é ter contato com uma das línguas mais bonitas e com sua rica literatura e patrimônio cultural. Isso, além do lado prático que é possibilidade da comunicação com milhões de falantes desta língua, lembrando ainda que uma das línguas da ONU ao lado do inglês, francês e o espanhol, sendo uma das línguas de mais falantes no mundo.

boa_3-2 C.B. Qual seriam os motivos para que um estudante optasse pelo estudo da língua árabe?

S.J. Creio que esse aumento da procura da língua árabe no Brasil, se deve ao fato de melhorar a oportunidade de trabalho. As empresas que querem exportar seus produtos para o mundo árabe estão em busca de profissionais com diferencias, assim como as editoras que querem publicar livros traduzidos diretamente do árabe, por exemplo, e esta procura é valorizada, uma vez que ainda não tem muita gente qualificada para tais tarefas, mas está em crescimento palpável.

C.B. Quanto tempo um aluno leva para poder aprender o idioma e que dicas a senhora poderia nos dar para melhorar a aprendizagem da língua?

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Safa Jubran

S.J. É uma das perguntas que tudo mundo faz quando se trata da aprendizagem de uma língua, mas não há resposta pronta para isso, pois trata-se de um processo que envolve dois lados, quem ensina e quem aprende, além de muitos outros fatores e variáveis envolvidos, tais como: quantas horas se dedica a isso, o interesse, a motivação e a vontade do aprendiz, além do fato de que ensinar uma língua na universidade se defere do ensino dela num curso de línguas, por exemplo, é um ensino com outro propósito e finalidade.

C.B. Quais são as diferenças entre os dialetos na língua árabe, ou seja os “árabes” falados ?

S.J. Os dialetos se diferem da língua árabe padrão, língua oficial de todos os países árabes. Assim, há o árabe “libanês”, o árabe “egípcio”, o árabe “marroquino” e árabe “iraquiano”. Para se ter uma ideia, das diferenças que podem ter entre esses dialetos, “como vai?” é: kifak?, izayyak?, la-bâs? chlonak?, em cada um dos dialetos citados, respectivamente. Houve tempo em que se consideravam os dois códigos totalmente distintos e de uso bem demarcada, mas atualmente com a popularização dos meios de comunicação, podemos notar uma aproximação entre dos dois códigos na comunicação. Existe o árabe padrão, escrito, que é a língua oficial de todos os países árabes, língua ciência, da cultura, e da comunicação formal e há em cada país, ou região uma forma falada, considerada do dia-a-dia, que se apresenta diferente entre si e entre a língua padrão.

C.B. A título de curiosidade, a senhora poderia nos citar palavras da língua portuguesa que tenha origem no idioma árabe .

20150920_154313S.J. Há uma lista enorme destas palavras, basta abrir o dicionário na letra “A” e verificar vocábulos como: alface, alfaiate, álcool, almofada, arroba, alfazema, alicate, açougue, arroz, azeite, azeitona, armazém, enxaqueca, azar, estes são algumas que são facilmente reconhecidas, mas tem outras como: mesquinho, garrafa, oxalá, zagueiro (de saq), talco, ceifar, entre muitas outras. Basta lembrar que o árabe é a segunda língua, depois do Latim, que mais contribuiu para a formação do léxico da língua portuguesa.

 

 

Para maiores informações:

Safa A. C Jubran : professora de árabe, autora, ensaísta e tradutora.

Email: sjubran@usp.br

Por Viviane Carvalho

Fotos: Safa Jubran

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