Os Cedros do Senhor são um dos mais importantes símbolos da cultura Libanesa. Os cedros do Líbano são mencionados na Bíblia e estão localizadas a 132 km de Beirute, numa região conhecida como “Arz Ar-Rab”, em português seria os Cedros do Senhor.

O vilarejo e o bosque de cedros localizam-se à sombra do pico Kornet es-Saouda. Aqui o visitante chega literalmente ao “teto” do Líbano e do Oriente Médio, pois o pico tem altitude de 3.089 metros.

A região abriga hoje a maior floresta de cedros do Líbano, cobrindo

toda uma montanha a 1.920 metros de altitude. Ao todo são mais ou menos 400 cedros, muitos deles quase milenares.

Para se ter uma ideia da antiguidade e da importância dessas árvores, sarcófagos de reis fenícios e os barcos que esse povo usou para viajar por todo o Mediterrâneo, assim como o Templo de Jerusalém e o palácio do Rei Salomão foram construídos com as madeiras dos cedros libaneses.

Além desta, o país tem outras florestas de cedros, tais como as de Baruuk, Jaj, Ehden, Hadeth el-Joubbé, Tannourin, Ain Zhalta, entre outras. São os últimos vestígios de vastas florestas que, conforme se pode ler nos livros de história e na própria Bíblia, um dia cobriram todo o Líbano.

Inspiração para profetas e escritores, o cedro desde cedo foi considerado o símbolo da identidade libanesa, a ponto de ser ostentado na bandeira nacional. No entanto, imensas áreas onde essas árvores eram comuns desapareceram, a ponto de, em 1843, um patriarca maronita construir uma capela no centro de um bosque –a Capela da Transfiguração – onde eles ainda são protegidos como uma reserva.

Atualmente, essa reserva, assim como outras, tem o apoio da Associação dos Amigos da Floresta dos Cedros, que tem entre outras atividades a de reflorestar regiões antes ocupadas pelos cedros.

CEDROS

O cedro-do- Líbano (Cedrus libani) pode viver até 3 mil anos, chegando a atingir 40 metros de altura com um tronco de 15 metros de circunferência e galhos de 50 metros de uma extremidade à outra.

O cedro floresce na primavera e começa a dar frutos a partir dos 40 anos de idade. De sua madeira e de seus frutos pode-se extrair uma resina que serve como verniz protetor. Sua madeira é bem resistente, o que explica seu uso na construção das embarcações que os fenícios usaram para chegar ao extremo oposto do Mediterrâneo, como nos entrepostos no que hoje se conhece como Portugal e até mais distantes.

De fácil polimento e resistente à umidade, ela foi encontrada ainda intacta até na pirâmide de Gizé, uma construção que os arqueólogos dizem ter mais de 4 mil anos.

O cedro é considerado uma árvore sagrada pelas três religiões monoteístas. Para o judaísmo é a árvore escolhida, para o cristianismo é a sagrada e para o islamismo é a pura. A Bíblia cita-a 103 vezes sob o nome de Cedro de Deus, pois segundo as escrituras, é a única árvore que Deus teria plantado com as próprias mãos.

O fato é que praticamente todas as potências da Antiguidade logo perceberam e exploraram suas qualidades juntamente com os fenícios, de muitas maneiras. Evidentemente esses povos não tinham ainda a concepção de reflorestamento e o corte intensivo dessas árvores levou à diminuição das florestas de cedro-do-Líbano a níveis alarmantes, o que fez com que associações libanesas e estrangeiras de proteção ao cedro começassem a pressionar o governo libanês.

Por Roberto Khatlab

Livro – Líbano, um oásis no Oriente Médio, Editora Dar Saer Mashrekm Líbano, autor: Roberto Khatlab.

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