O carnaval era uma festa pagã, inspirada nas festas da antiguidade. Durante a Renascença, o uso de fantasias e máscaras, inspirados na arte cênica italiana, impulsionou ainda mais a prática dessa folia, que se propagou para outros países.

No Brasil, o carnaval foi inserido no século XVII pelos portugueses, influenciados pelas festas carnavalescas que ocorriam na Europa. No final do século XIX sugiram os primeiros blocos de carnaval, mas foi apenas no século XX que ele se popularizou em virtude das marchinhas de carnaval, que deixaram o Carnaval bem mais animado.

A primeira escola de samba surgiu no Rio de Janeiro, pela Escola de Samba Estácio de Sá. Com o tempo, novas escolas foram surgindo, inclusive em São Paulo. E na sequência, surgiram as competições anuais de ambos os Estados.

As tradições originais do carnaval de rua se mantiveram na região nordeste do país, principalmente no Recife e em Olinda com o desfile de seus bonecos gigantes. Na Bahia, o carnaval inovou os desfiles de rua, com o surgimento dos blocos e dos trios elétricos de cantores famosos da música regional.

As fantasias mais usadas nessa época se inspiram nas fantasias usadas no carnaval europeu, como o Pierrô, a Colombina e o Arlequim, porém a sátira na política não poderia ser esquecida, e caras conhecidas da política nacional fazem parte da demonstração popular e de certa forma demonstram revolta contra a corrupção na política brasileira.

O carnaval do Rio de Janeiro é considerado a maior festa popular do mundo. Ela atrai cerca de 2 milhões de pessoas de todas as nacionalidades principalmente americana, francesa e japonesa. Mas a sensualidade e a conotação sexual é uma característica típica do carnaval brasileiro, e isso não há como negar. Porém, nem só de música, desfiles, fantasias, blocos e cunho sexual se faz o carnaval.

A maior festa popular do mundo movimenta bilhões de reais dentro da indústria turística e do entretenimento, e milhares de empresas disputam o concorrido e bilionário mundo do patrocínio do carnaval, para destacar e vender seus produtos, que são vendidos nessa época a preços altíssimos.

As cidades que promovem o Carnaval investem altas somas em infraestrutura, planejamento urbano, mobilização de segurança, pronto atendimento médico, e também recebem milhões de investidores nacionais e internacionais.

De acordo com a prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, no carnaval de 2015, os foliões movimentaram um total de $736 milhões de dólares, totalizando cerca de R$ 2.944.000,00 de reais. Mais de 4.700.000 foliões pularam o último no carnaval carioca contabilizando todos os blocos carnavalescos e a Marques de Sapucaí.

Revellers attend to XXXXXXXX Samba School parade during Rio de Janeiro's carnival on Marques de Sapucai Sambodromo.

Escola de samba do Rio de Janeiro durante o carnaval na Marques de Sapucai Sambodromo.

O mesmo ocorre nas escolas de samba, que também recebem milhões dos governos federais e estaduais. Além claro, de um investimento milionário dos patrocínios exclusivos. Obviamente, que toda essa rede de negócios, além de ser uma bilionária fonte de renda, também gera milhares de empregos temporários e fixos, entre membros das comunidades, e empresas terceirizadas e especializadas em vários setores.

O carnaval pode durar apenas alguns dias, mas sua preparação leva um ano, e conta com uma mão de obra gigante por detrás dos bastidores. Durante todo o ano, as escolas de samba, seus organizadores, patrocinadores, investidores e trabalhadores vão se preparando na confecção de fantasias, de carros alegóricos, dos enfeites, da música samba enredo, das coreografias, produtos, tema, infraestrutura, e tudo o mais que for necessário, para que nos dias do Carnaval, os foliões possam então desfrutar da esperada grande festa.

O universo do carnaval inclui a rede de hoteleira, táxis, restaurantes, segurança pública e privada, e outras áreas econômicas que investem, e também se beneficiam com o carnaval. No intuito de promover a profissionalização dos envolvidos na elaboração do carnaval, em todo o país, foram criados dois eventos relacionados ao Carnaval, que ocorrem anualmente no Rio de Janeiro: A Carnavália – Feira de Negócios do Carnaval e o Sambacon – Encontro Nacional do Samba.

O objetivo desses eventos, além de superar o movimento de milhões gerados e investidos a cada ano, é também o de conscientizar todos os envolvidos no ramo, de que o carnaval é um grande gerador de negócios para o país, na chamada economia criativa. O Carnaval brasileiro movimenta a economia do país e os negócios nas pequenas empresas, gerando impacto direto e indireto em todo os segmentos.

Quem se beneficia com o Carnaval?

Artistas, produtores, cantores e bandas independentes, designers, arquitetos, engenheiros, produtores e fornecedores de: fantasias, abadas, bonecos gigantes, máscaras e etc.

A lista é extensa mas bem democrática desde as empresas de locação e montagem de palcos assim como todos os ambulantes de alimentação e até mesmo os donos de albergues, hotelaria informal que vem crescendo no Rio de Janeiro, se beneficia da indústria ligada ao universo do Carnaval!

Até quem não investe, gosta ou participa, também sai no lucro. É o caso de todos os demais segmentos que investem nas pessoas que querem fugir da temática do carnaval, para fazer programas alternativos como pousadas e retiros espirituais.

(framework.latimes.com)

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Todo esse investimento daria até uma nova marchinha: “Ó abre alas, que eu quero lucrar!”.

Por Claudinha Rahme

 

 

 

 

 

 

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