Mabel Nakrour é brasileira, natural de Belém do Pará, casada com o joalheiro libanês Elias Nakrour e mãe de 4 filhos. Mabel recebeu Connection Beirut para um bate-papo descontraído em seu ateliê, que fica localizado de frente para o mar Mediterrâneo em Jounieh, tendo ao fundo as montanhas que dão vida a Harissa. Ela é reconhecida como artista no Líbano por sua incrível produção velas, atualmente toda destinada à venda na Catedral de Harissa.

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Connection Beirut 1) Como surgiu a idéia de trabalhar com a fabricação de velas?

 

Desde jovem quando ainda morava em São Paulo sempre trabalhei em diversos ramos. Chegando aqui no Líbano me deparei com dificuldades por não ter fluência em nenhum dos três idiomas – inglês, francês e árabe – falados no país, ponto crucial para conseguir qualquer trabalho.

Decorando minha casa percebi que, na época, não existiam velas decorativas disponíveis para vender. Não perdi a oportunidade e fiz alguns cursos nas minhas férias no Brasil e amei! Já trouxe todo o material de lá e o renovo a cada ano.

 

 

Connection Beirut 2) Como a sua produção de velas acabou sendo escolhida pelo Santuário Nossa Senhora Do Líbano, em Harissa, que é um dos lugares mais turísticos do Líbano? Como você espera expandir sua produção de velas no país?

 

Sou uma pessoa muito dedicada e positiva, acredito muito na reciprocidade dessas qualidades. Sempre acreditei que você atrai tudo aquilo que você quer com determinação. Fui descoberta pelo Padre Antônio, responsável por Harissa, uma pessoa jovem, dinâmica e inovadora, que me dá total liberdade de produção e criatividade. Ele morou no Rio de Janeiro por alguns anos e fala português! Alguns vão pensar: “que sorte”! Mas eu acho que tudo é força do amor ao trabalho e positividade.

Quanto à expansão, estou muito satisfeita até onde consegui chegar. Por ser um trabalho artesanal prefiro fazê-lo todo pessoalmente, dessa maneira me realizo plenamente.

Fico muito satisfeita quando as pessoas apreciam o meu trabalho, um “Uau!” sempre é bem vindo.

 

 

Connection Beirut 3) Qual tipo ou formato de vela é mais vendido? Você enxerga a utilização de suas velas com efeito decorativo ou religioso?

 

Como já trabalho há 10 anos, tenho uma imensa variedade de modelos, sendo que em cada modelo posso trabalhar com uma infinidade de combinações de cores, decorando com elementos variados como pedras brasileiras, elementos naturais como folhas, areia, frutas e condimentos desidratados. Ao tentar adaptar a produção ao gosto refinado dos libaneses, acrescentei modelos usando correntes e materiais mais requintados. Até as velas religiosas são decoradas minuciosamente, razão pela qual podem ser consideradas decorativas também.

Todos os modelos vendem bem! Presenteiam-se muito aqui, em várias ocasiões. Nem sonhe em chegar de mãos vazias quando convidado para um jantar (risos)!

Velas sempre realçam e dão elegância a qualquer ambiente, seja ele religioso ou não.

 

 

Connection Beirut 4) Como você enxerga a mulher brasileira casada com o libanês? Qual conselho você daria para as mulheres que vivem no Líbano e sonham trabalhar e/ou abrir seu próprio negócio?

 

A mulher que aceita morar no país do seu marido já tem uma qualidade muito importante: coragem! Essa mulher sabe que tem que se esforçar para entender a cultura, adaptar-se aos costumes e aproveitar tudo que o Líbano tem a oferecer: natureza linda, excelente educação para os filhos e o prazer das boas coisas da vida! O trabalho deve completar a vida de qualquer mulher, mesmo diante das dificuldades de conciliá-lo com a casa e os filhos. Essas dificuldades apareceriam mesmo que a mulher estivesse morando no Brasil. Então mulheres, meu conselho é: determinação e coragem!

Por Viviane Carvalho

 

 

 

 

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