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Créditos Adam Jayme

Você sabia que Oscar Niemeyer, um dos maiores gênios da arquitetura brasileira, saiu de Brasília e realizou projetos no Líbano, na cidade de Trípoli?

Esse projeto moderno e reverente chama-se El Ma’rad de Trípoli, mais conhecido como Rachid Karameh International Exhibition Center, em homenagem ao ex-primeiro ministro, Rachid Karameh, que era natural de Trípoli e por 8 vezes ocupou o referido cargo.

Na década de 50, em virtude do crescimento econômico e turístico, o Líbano desfrutava de um “boom internacional” que lhe rendeu a fama de “Paris do Oriente Médio”. Nesta época o governo decidiu que deveria investir no norte do país, especialmente em Trípoli, sua segunda maior cidade portuária.

Trípoli fora uma importante província do tempo das Cruzadas e dos períodos Mameluco e Otomano, e que durante os anos dourados do país precisava de um toque moderno que a adequasse ao século XX.

Para isso, em 1966 o governo libanês trouxe do Brasil Oscar Niemeyer, o único arquiteto da época capaz de dar à cidade o ar futurista desejado.

O projeto foi um desafio para Niemeyer, que estava no auge de sua fama internacional em virtude da construção de Brasília e que fora escolhido pelo governo libanês justamente por isso.

Os esboços levaram cinco anos para se tornar realidade e a princípio Niemeyer queria que o projeto fosse edificado próximo ao mediterrâneo, o que não foi possível. Mas isso não o impediu de sentir muito carinho pelo lugar e guardar ótimas lembranças de sua temporada no Líbano.

A genialidade do arquiteto é claramente demonstrada pelas formas futuristas das instalações que foram construídas no megacomplexo. A estrutura da cúpula, o arco delicado que distingue os motivos justos pela sua altura e elegância, o teatro ao ar livre que parece flutuar sobre a água. Além, claro, do toque libanês, representado com delicadeza enfática nos arcos de luz no pavilhão libanês que deixa o expectador com a nítida impressão de estar numa cidade do século XXI em ação.

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Créditos Adam Jayme

O porte das estruturas de concreto utilizadas era o maior do gênero para a época, e os detalhes mostram a harmonia entre a beleza e a tecnologia que foram usadas nessa obra.

O complexo se tornou referência para visitas, pesquisas e estudos para arquitetos e estudantes de arquitetura, não apenas do Líbano mas do mundo todo.

Parte das obras chegou a ser inaugurada, porém com o início da guerra civil em 1975, todo o restante do projeto foi abandonado e jamais utilizado para o que foi destinado.

Mas o belo El Ma’rad de Niemeyer resistiu ao tempo e à guerra com algumas fissuras e encontra-se nos dias atuais parcialmente em ruínas, fechado pelas autoridades locais e esquecido pelo governo libanês.

O projeto inicial do megacomplexo consistia em 15 edifícios com os seguintes compatimentos:

– Escritórios e Centro de negócios;

– Salas de Exposições;

– Dome Theater: Estrutura de concreto em forma de cúpula;

-Pavilhões libaneses:

– Sala de conferências;

– Teatro ao ar livre: Uma peça única de arquitetura, cujo palco é uma balsa flutuante sobre uma piscina circundante.

– Restaurante Panorâmico e Terraço:

– Quality Inn Hotel Trípoli:

– Salão de senadores: instalações destinadas a conferências;

– Clube de Lazer.

Existem projetos que irão completar a transformação deste local incomum em um verdadeiro destino turístico para toda a região e outros países, onde a idéia será instalar parque temático de diversões , implementar hotel 5 estrelas e um cinema 3D.

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Créditos Adam Jayme

Nos resta aguardar a conclusão dessa verdadeira obra de arte moderna e espero que você tenha a oportunidade de visitar o magnífico trabalho do Oscar Niemeyer ou até mesmo visualizar o que foi o progresso da economia libanesa nos áureos tempos.

Por Claudinha Rahme

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