Connection Beirut traz em sua capa nessa 5a edição, a brasileira ROSALIE BOU ASSI RAFFOUL, que exerce a função de Presidente do Conselho de Cidadãos Brasileiros em Beirute, assim como paralelamente é a Coordenadora Geral do Conselho de Representantes de Brasileiros no Exterior, a frente de 52 Conselhos de Cidadãos e/ou Cidadania estruturados em vários países onde o Brasil tem representação consular.

Rosalie Raffoul é uma mulher carismática, humanitária, e muito querida por toda comunidade brasileira. Ela é reconhecidamente competente e respeitada pelo trabalho que exerce em prol da comunidade brasileira no Líbano e no exterior. Rosalie é casada, mãe de 2 filhos, apesar de ter nascido no Líbano, foi criada no Brasil, e reside em Beirute desde 1997.
Essa brasileira-libanesa é bacharel em Direito pela Universidade de Mogi das Cruzes, e já realizou diversos trabalhos voluntários voltados às comunidades do Brasil, Palestina, Síria, Iraque e Líbano.

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Rosalie Raffoul recebendo a Condecoração Ordem do Rio Branco pelo Embaixador do Brasil no Líbano Jorge Kadri e o diplomata brasileiro Adam Jayme.

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Na residência oficial do Embaixador Jorge Kadri, Embaixatriz Elza Kadri, Rosalie Raffoul, Raffoul Raffoul, Christopher e Nathalia Raffoul

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E para orgulho de toda comunidade brasileira, Rosalie Raffoul foi recentemente homenageada com a Condecoração Ordem do Rio Branco pelo Governo do Brasil.

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Consul Adjunto no Líbano Renato Farias, que também foi homenageado pelo Governo Brasileiro e Rosalie Raffoul durante a solenidade

Connection Beirut.1)Sabemos que o Conselho de Cidadãos Brasileiros em Beirute é formado por um grupo de voluntários brasileiros membros da sociedade civil residente no Líbano, composto por 11 representantes, um presidente e um suplente. O atual conselho foi renovado no presente mês, por um período de mais 2 anos. Qual tem sido a função do CCB no Líbano?

Rosalie Raffoul: O CCB tem como função principal exercer o papel de interlocutor entre o setor Consular da Embaixada do Brasil no Líbano e a comunidade brasileira residente neste país. O CCB em Beirute realiza discussão de temas relevantes voltados para a comunidade brasileira local, tendo por princípio oferecer subsídios para a formulação de mesas temáticas, tais como: problemas de gênero, educação, saúde, além de sugerir novas políticas públicas que beneficiem a toda comunidade, visando o aperfeiçoamento do serviço consular prestado pela embaixada.

O conselho se reuni trimestralmente, junto ao Embaixador brasileiro Jorge Kadri, assim como ao Cônsul Adjunto da Embaixada do Brasil no Líbano. Seus membros são convocados pelo embaixador, respeitando todas as regiões representativas do país.

Connection Beirut. 2)Quais os resultados concretos obtidos pelo Conselho de Cidadãos Brasileiros em Beirute ao longo de sua presidência?

Rosalie: Bem, ao longo do trabalho do Conselho de Cidadãos Brasileiros em Beirute, desde seu estabelecimento, podemos citar diversos frutos que resultaram na melhoria de atendimento a toda comunidade como por exemplo: a sugestão do agendamento online junto ao setor consular da Embaixada do Brasil, contribuição na confecção do programa de evacuação em caso de guerra em conjunto ao Consulado Brasileiro à época e a criação da Cartilha da Emigrante Brasileira no Líbano. No entanto, ao longo de minha presidência, o conselho tem se dedicado para a prestação de assistência em diversas espécies a brasileiros que se encontram em situações de vulnerabilidade, bem como na divulgação de informações à comunidade sobre temas relevantes e de utilidade pública de interesse geral, apoio aos prisioneiros brasileiros que cumprem pena no Líbano, tentativa do projeto piloto de Assistência no Atendimento Consular, o apoio psicológico a mulheres vítimas de violência doméstica e orientação jurídica referentes a guarda tutelar entre outros.

Um caso concreto e público foi o da brasileira Claudia Boutros, que teve sua filha sequestrada no Brasil e trazida ao Líbano pelo ex-marido. Nosso conselho trabalhou paralelamente junto ao Setor Consular da Embaixada do Brasil, na promoção de assistência em várias formas para o bem estar da Sra. Claudia durante sua estadia no Líbano. O Conselho acompanhou o desenvolvimento do processo judicial que felizmente teve resultado favorável à Sra. Claudia com ganho de causa em primeira instância no Líbano.

Connection Beirut. 3) Todos sabemos que o Líbano é uma nação paternalista e que viver aqui na condição de mulher é um desafio para a conquista do sucesso profissional. Quais seriam os fatos concretos de sua liderança junto à Coordenadoria Geral do Conselho de Representantes de Brasileiros no Exterior?

Rosalie: Coordenei um projeto de ajuda psicológica e orientação jurídica a mulheres vítimas de violência doméstica anteriormente a minha gestão junto ao CCB em Beirute, um tema pelo qual dedico uma atenção especial, e após minha participação na IV Conferência Brasileiros no Mundo, o assunto me sensibilizou muito mais. Tendo em vista os problemas de gênero enfrentados pelos brasileiros no exterior expostos durante a referida conferência, chegou-se à conclusão em sua Ata Consolidada, sobre a necessidade da realização de um seminário que abrangesse todos as questões de gênero, pois este é um problema de contexto mundial. Contudo, após várias reuniões virtuais e um trabalho intenso realizado entre a Coordenação do CRBE- Conselho de Representantes de Brasileiros no Exterior e o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, na dedicação para a realização da “I Conferência de Gênero na Imigração Brasileira”.

 

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Embaixador Jorge Kadri e Rosalie Raffoul

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Subsecretaria-Geral das Comunidades Brasileiras no Exterior do Ministério das Relações Exteriores, com o apoio da FUNAG e em parceria com o Conselho de Representantes de Brasileiros no Exterior (CRBE), realizou a I Conferência sobre Questões de Gênero na Imigração Brasileira. Crédito: Funag

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A conferência realizada em Brasília no último mês de junho foi um sucesso. Houve a discussão da importância de campanhas de divulgação preventiva, orientação e providências a serem tomadas com a finalidade de amenizar os problemas de gênero sofridos pela comunidade brasileira conforme as leis locais do país de residência no exterior, com relação à disputa da guarda de menores, dificuldades que a comunidade LGBT enfrenta, tráfico de menores, preservação da imagem da mulher brasileira, turismo sexual e outros. Participaram vários porta vozes das principais comunidades brasileiras emigradas, junto com diversas entidades e órgãos públicos federais como o Ministério do Turismo, da Justiça, Secretaria de Políticas para Mulheres, comissões de diplomatas do Itamaraty e outros.

Na qualidade de Coordenadora Geral do CRBE, participei da mesa de abertura da referida Conferência, que para nossa alegria gerou diversos resultados positivos. Um dos projetos em andamento como consequência da conferência, é a preparação de uma cartilha que explica sobre a limitação que o Governo brasileiro pode exercer diante da garantia dos direitos de seus cidadãos junto a nações estrangeiras, projeto que ainda está em andamento, mas que será de extrema valia para dar maior transparência e limitação do poder do Estado junto às entidades estrangeiras.

Outro importante fruto da Conferência será a preparação dos funcionários dos setores consulares ao atendimento à comunidade
, aprimorando a forma de atendimento, assim como a preparação dos documentos voltados para essa comunidade. E vários outros projetos.

Connection Beirut. 4) Você se sente mais brasileira ou libanesa? E qual seria a sua visão e perspectiva sobre viver na terra dos fenícios?

Não me sinto mais brasileira ou libanesa. Minha visão brasileira poderia dizer que é um pouco mais acentuada, no entanto me orgulho da minha origem libanesa, de ambos pais, avós e bisavós oriundos do norte do Líbano. Esse país oferece ótimas condições de estudo para meus filhos, assim como em termos de segurança comparado ao que eles poderiam obter no Brasil. No entanto, não posso deixar de mencionar a instabilidade política que vivemos aqui.

Todavia, quando tratamos da perspectiva de viver no Brasil, temos a insegurança quanto à violência urbana. Sendo assim, seria prudente analisar os prós e os contras ao escolher morar fora de sua nação.

Quanto ao futuro, tenho perspectiva de retorno ao Brasil a longo prazo, contudo não posso dizer que sinto tanta falta da nação verde e amarela, haja vista as minhas visitas constantes ao Brasil, por razões familiares e profissionais, possuo também diversos amigos brasileiros e tenho um bom contato junto a comunidade brasileira residente no Líbano. Torço para que o Líbano permaneça em paz, onde eu vivo feliz há 17 anos, e conquistei boas amizades brasileiras e libanesas.

DSC_0236Para finalizar, gostaria de ressaltar que me considero uma pessoa muito sortuda, pois acredito que tenho o melhor dos dois mundos. Vivo dentro da comunidade libanesa sem me desvincular das minhas tradições brasileiras, que é meu país. Além disso, temos o nosso Centro Cultural do Brasil no Líbano, onde posso matar a saudade e manter um grande contato com a cultura brasileira através de nossas festas e encontros.

Dessa maneira, trago o meu Brasil para minha família e eu posso ter o contato com o mundo libanês de meus filhos e meu marido.

Por Viviane Carvalho

 

 

 

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