IMG_9702Nossa matéria de capa desta quarta edição é com o presidente da Universidade Americana de Beirute – AUB, Fadlo Khuri. A AUB é classificada como a universidade número 1 no Líbano , e é tida como uma das 250 melhores universidades do mundo pelo QS World University Rankings. Khuri é professor e também presidente do departamento de Hematologia e Oncologia Médica da Faculdade de Medicina da Universidade Emory, e pesquisador-adjunto dessa instituição de ensino.

Fadlo Khuri nasceu nos EUA e se formou pela Universidade de Yale, em Connecticut, ganhando seu medical doctor pela Universidade de Columbia, em Nova York. A Connection Beirut teve o prazer de entrevistá-lo no Campus AUB em Beirute, onde ele falou sobre a influência libanesa em sua vida e seus novos projetos na AUB.

 

C.B. Sabemos que a Universidade Americana de Beirute é uma instituição referência na área de educação não só no Líbano, mas também no Oriente Médio, nos últimos 150 anos. Como o senhor recebeu o convite do comitê que o elegeu como o 16o presidente da AUB?  

IMG_9705F.K. Fiquei profundamente orgulhoso de ser convidado para servir a uma instituição que ajudou tanto a me educar, assim como fez com quatro gerações da minha família. Eu também sou grato por ter a oportunidade de ajudar a liderar a AUB, uma instituição de ensino superior incomparável. A AUB tem transformado muitas mentes e mudado dezenas de milhares de vidas para melhor, e eu estou me juntando a essa causa, em um momento no qual existe a oportunidade de crescimento da instituição, sempre com o objetivo de torná-la ainda maior do que já é.

 

C.B. Apesar de ter nascido nos EUA (e ter trabalhado brilhantemente na Universidade Emory, que é uma referência internacional no campo da medicina), o senhor possui raízes libanesas. Como enxerga a influência libanesa em sua carreira e como é a sensação de estar na terra dos seus antepassados?

F.K. Nasci nos EUA, mas cresci no Líbano como filho de dois intelectuais libaneses orgulhosos, talentosos e positivos. Eu e meu irmão crescemos com um grande amor ao Líbano e genuína valorização de sua cultura e história, assim como minha esposa e seu irmão também. Admiro os libaneses por serem entusiasmados, e possuírem os ricos sentimentos de pertencimento que as pessoas desfrutam aqui. Cresci muito confortável com minha dupla identidade, tanto libanesa quanto americana, e desde que deixei o Líbano, antes de completar 19 anos, tenho mantido contato com meus amigos, familiares e a cultura libanesa. É profundamente significativo para mim retornar à minha casa, e pretendo fazer diferença na vida das pessoas da AUB, do país e até mesmo da região.

 

C.B. A maior diáspora libanesa no mundo é encontrada no Brasil, onde cerca de 10 milhões de libaneses estão vivendo. Por outro lado, existem 10 mil brasileiros que vivem aqui no Líbano. Algumas universidades começaram a investir no intercâmbio entre ambas as nações. Como o senhor poderia aprimorar esta cooperação cultural e educativa?

F.K. A diáspora libanesa no Brasil supera os cidadãos libaneses residentes no Líbano por quase 3 a 1; ou seja, a cada três descendentes de libaneses residentes no Brasil, existe um libanês residente no Líbano. Os brasileiros libaneses mantêm profundos laços fraternos e culturais com o Líbano. E é crescente o número de brasileiros que vivem no Líbano, o que não me parece ser surpreendente. Além dos laços culturais e familiares, as duas nações compartilham uma grande vontade de viver e traços comportamentais que as conectam firmemente. O Brasil emergiu como um forte país em âmbito cultural, acadêmico e econômico nos últimos 20 anos. E há muita coisa que podemos fazer para melhorar e acelerar o intercâmbio cultural entre essas duas nações. Já fui ao Brasil quatro vezes, e sob minha perspectiva gostaria de ajudar a facilitar laços, assim como executar colaborações acadêmicas, que seriam significativas e duradouras, entre as melhores universidades brasileiras e a AUB.

 

C.B. Qual é o ponto de vista do senhor quanto à educação no mundo árabe? Quais são os desafios a serem superados pela AUB no futuro?

F.K. A educação no mundo árabe está num ponto decisivo interessante. Além de muitas instituições esplêndidas, e das universidades norte-americanas exportadas para o Líbano, uma série de instituições de boa qualidade começaram a criar raízes na região de uma forma lucrativa. O ensino superior de qualidade está amplamente disponível no Oriente Médio, e mesmo sendo a AUB a mais antiga delas, em minha opinião, ela ainda continua sendo a instituição mais forte e mais profunda em termos de pesquisa de ensino superior por aqui. Temos também um lugar vital que nós preenchemos, e nesse sentido aspiramos a alcançar estudantes brilhantes que não possuem recursos para cursar faculdade, pós-graduação e uma formação profissional. Nosso objetivo é nada menos do que efetivamente e consistentemente transformar as vidas desses alunos. Esse fenômeno tem se dado de forma ampla nos EUA e na Europa e vem crescendo na Austrália, em toda a América e Ásia. Contudo, uma boa educação em artes liberais em uma universidade de pesquisa continua a ser algo raro e precioso no Oriente Médio. É exatamente nesse sentido que a AUB e outras excelentes instituições de ensino superior devem liderar, como auxiliares na construção de um novo impulso para uma sociedade justa e equitativa no mundo árabe.

 

Viviane Carvalho

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