O Líbano sempre foi um refúgio para o mundo árabe, podemos dizer que o Líbano foi e continua sendo um oásis de liberdade no Oriente Médio. Quando o assunto é arte, o Líbano sempre foi destaque, o país foi um dos primeiros países do mundo árabe em produzir filmes, fazendo dele um ícone importante na história do cinema do Oriente Médio.

O cinema no Líbano começou a ganhar vida na década de 20 do século passado, e até então era o único país do mundo árabe que produzia filmes. O cinema libanês teve início durante o mandato francês, o primeiro filme libanês filmado no Líbano é o “The Adventures of Elias Mabruk” em 1929, e o primeiro filme libanês com som é “In the Ruins of Baalbeck” em 1936, esse filme foi um verdadeiro sucesso na época batendo recorde histórico nas bilheterias.

Durante a década de 20, salas de cinemas eram comuns em Beirute, enquanto Beirute respirava arte naquela época, o restante dos países árabes não sonhavam nem com 1% de liberdade que o Líbano desfrutava.

Já na década de 30, havia uma grande concorrência entre a França e Hollywood quanto o assunto era filmes, então o governo francês ordenou que todos os filmes hollywoodianos fossem dublados em francês quando expostos em salas de cinema no Líbano para que o francês não perdesse para o inglês.

Depois que o Líbano ganhou independência da França em 1943, o cinema libanês apenas ganhou mais força, com o enorme crescimento econômico do país na era pós-independência, Beirute passou a ser o centro econômico e cultural do leste do Mediterrâneo e do mundo árabe em geral.

Em 1958, o filme “George Nasser’s Ila Ayn?” foi o primeiro filme libanês a representar o Líbano no Festival de Cinema de Cannes. Durante as décadas de 60 e 70, a capital egípcia Cairo era um grande centro de filmes árabes, porém Beirute sempre foi o centro da liberdade e sofisticação no cinema regional, enquanto Cairo produzia filmes que falavam árabe, Beirute produzia filmes que falavam francês e inglês ganhando mais destaque no cinema internacional.

Inúmeros filmes libaneses foram produzidos durante a era que antecedeu a guerra civil libanesa, cidades como Beirute e Jounieh eram cenários de filmes europeus e americanos como grande filme americano “Twenty Four Hours to Kill” que foi gravado em Beirute no ano de 1965.

O Líbano sempre foi ousado em todos os sentidos possíveis, até no cinema, o filme libanês “Cats of Hamra Street” abordou o tema da sexualidade em 1973, a ousadia do cinema libanês afrontou o cinema árabe mostrando a liberdade no Líbano, fazendo dele um ícone e referência para o cinema do mundo árabe.

MV5BMTc2ODQ3Mzk5Nl5BMl5BanBnXkFtZTYwMzM0MTk5._V1_SX214_AL_Quando a guerra civil estourou em 1975, incrivelmente, surgiu uma onda de novos diretores de cinema, os filmes durante a guerra civil abordavam assuntos políticos e religiosos. Maroun Baghdadi foi um diretor libanês importante durante a guerra civil, seus filmes ganharam destaque internacional como o filme “Little Wars”, esse filme foi exposto do Festival de Cannes e no Festival de Filmes de Nova York em 1982.

Em 1998, o diretor libanês Ziad Doueiri fez o famoso filme “West Beirut” que retratou o começo da guerra civil e a partição da capital Beirute entre cristãos e muçulmanos. “West Beirut” foi o primeiro filme libanês e filme árabe a ser lançado no cinema americano.

No começo do século 21, o cinema libanês ganhou aspectos ocidentais e mais modernos com o surgimento de novos diretores jovens, e quando falamos de cinema libanês nesse século, não podemos deixar de falar da querida Nadine Labaki, uma diretora e atriz libanesa com fama internacional. Nadine Labaki produziu e atuou em vários filmes como “Caramel”, que retratou assuntos polêmicos na sociedade libanesa como adultério, virgindade e homossexualidade.

“Caramel” de Nadine Labaki além de ter sido lançado no mundo árabe, foi lançado também nos Estados Unidos, Reino Unido, França e Argentina. Nadine Labaki também participou na produção do filme “Rio, Eu Te Amo” além de ter atuado no filme é claro, Nadine Labaki escreveu e participou no segmento “O Milagre” do filme.

505526Dia 14 de Fevereiro é dia de São Valentino nos países do hemisfério norte, e assistir “Rio, Eu Te Amo” seria uma ótima opção, pois o filme abrange o tema “romance” em todos os aspectos possíveis, aproveitem e apreciem Nadine Labaki no filme, que foi a única mulher do Oriente Médio inteiro em participar na direção e atuação do filme.

Por Ibrahim Smidi

 

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