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Por ocasião de recente visita profissional ao seu país, o Cônsul-Geral do Líbano em São Paulo, Kabalan Frangieh, recebeu “Connection Beirut” para uma descontraída tarde de bate-papo e fez uma retrospectiva de sua missão diplomática no Brasil, revelando, com bastante propriedade, seus projetos para aprimorar, ainda mais, a relação entre os dois países.

Jovem e descontraído, o Cônsul não se enquadra no perfil mais tradicional que normalmente define os diplomatas em exercício. Diz que não gosta de usar terno e gravata e que sempre que pode, escapa da “pompa” que envolve o exercício da profissão. Mas isso em nada diminui seu talento, bastam alguns minutos de conversa para compreender como Frangieh – que é bacharel em Ciências Políticas pela Universidade Americana de Beirute e mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Nova Délhi, além de passagens pela Polônia, Áustria, Costa do Marfim e India – conduz, com sabedoria e eficácia, a complexa tarefa de representar oficialmente o Líbano no país onde reside uma das mais significativas diásporas libanesas no mundo.

O Cônsul esteve no Líbano acompanhando a delegação brasileira que participou da Segunda Conferência da Energia da Diáspora Libanesa, realizada entre os dias 21 e 23 de maio, em Beirute. A delegação, em sua maioria composta por deputados brasileiros e seus assessores com descendência libanesa, participou ativamente do evento, tendo sido agraciada com o maior número de prêmios. A conferência, segundo Frangieh, teve um alcance maior do que a realizada no ano anterior, “abrindo os olhos dos emigrantes libaneses para o Líbano e suas potencialidades”. Nesse sentido, “a finalidade do encontro é trazer prosperidade ao Líbano, demonstrando aos investidores que é seguro investir no seu país de origem.”

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Os integrantes da delegação tiveram não só a oportunidade de discutir temas de relevância bilateral, como também puderam conhecer o país. A promoção do turismo no Líbano, aliás, é também parte de destaque na missão do Cônsul. “Infelizmente a maioria do brasileiros ainda enxerga com muita reserva o turismo libanês, e a falta de segurança é a principal causa apontada”, acrescenta Frangieh. “Mas o país tem pontos turísticos espetaculares, como Byblos, Baalbeck, a gruta Jeitta, dentre outros, e queremos mostrar aos brasileiros que é seguro viajar no país”. A viabilidade de vôos diretos entre São Paulo e Beirute, como anteriormente existiu, foi também um tema bastante discutido. “É um desafio”, enfatiza Frangieh, “mas atualmente existe um mercado muito competitivo entre as companhia que fazem percursos que passam pelo Oriente Médio. Necessitamos mais estudos para analisar a real demanda do mercado.”

O encontro terminou com uma viagem à cidade de Batroun, norte do Líbano, onde se discutiu a criação “Casa Brasil”, parte integrante de um grande projeto cultural denominada “Praça dos Imigrantes”. O Cônsul, grande apreciador de artes em geral, revelou que o projeto será composto por 7 casas, cada uma destinada a um país que queira promover um maior intercâmbio cultural e turístico com o Líbano, como é o caso do Brasil, do México e da Austrália. O local, no centro histórico de Batroun, já foi cedido pela prefeitura, e a restauração da casa, escolhida em conjunto por uma equipe de arquitetos, pelo Cônsul e pelo Ministro das Relações Exteriores, contará com apoio financeiro de empresários brasileiros de origem libanesa.

Além do turismo e da cultura, um maior intercâmbio comercial entre o Brasil e o Líbano é uma das prioridades da missão do Cônsul. Segundo estimativas, “a comunidade libanesa no Brasil já soma quase o dobro da população do Líbano”, discorre Frangieh, “como não aproveitar os vínculos já existentes para estreitar ainda mais as relações entre ambos os países?” Diante dessa perspectiva, recebeu em novembro de 2014, em sua residência oficial em São Paulo, uma comitiva composta por dez fabricantes de vinhos libaneses, juntamente com sommeliers, jornalistas e entusiastas do assunto. “Os brasileiros precisam conhecer o lado bom do Líbano e a degustação dos nossos vinhos, com aroma pitoresco da região mediterrânea, surpreendeu muita gente”, revelou o Cônsul.

O evento faz parte da política de expansão comercial do governo libanês, que visa exportar para o Brasil além do vinho, outros produtos nacionais como o azeite de oliva, o zattar (tempero típico), a coalhada, e tantos outros que rondam o paladar da comunidade Líbano-Brasileira. O grande desafio, na opinião de Frangieh, é a redução das tarifas alfandegárias, pois o alto valor dos tributos impede que os produtos libaneses entrem no mercado brasileiro com um preço competitivo.

A redução tarifária, aliás, é outro tópico fundamental da agenda do Cônsul. Em dezembro de 2014 o Ministro das Relações Exteriores do Líbano, Gebran Bassil, assinou um memorando entre o Líbano e o MERCOSUL, dando início às negociações que objetivam a redução das tarifas alfandegárias. Segundo Frangieh, “a negociação com o MERCOSUL será realizada em diversas etapas e é muito provável que em 2 anos tenhamos uma acordo concluído”. Em maio de 2015, discussões acerca de negociações bilaterais com o Paraguai também foram realizadas, o que só reafirma a disponibilidade de diversos países da América do Sul em aumentar a importação de produtos libaneses. E novas rodadas de discussão serão debatidas no final do ano no Paraguai

A entrevista terminou com a promessa de que o Cônsul irá acompanhar de perto o trabalho desenvolvido pela “Connection Beirut”. “A revista tem muito potencial”, afirma Frangieh, “não há como negar o laço histórico existente entre Brasil e Líbano e o fortalecimento gradativo da relação entre as comunidades terá um saldo muito positivo para ambos os países.”

 

 

 

11156353_1069067053108044_2732252684999001141_npor Ana Letícia Medeiros

Por Viviane Carvalho    e Ana Letícia Medeiros

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