Os jovens constituem aproximadamente 40% da população libanesa e enfrentam uma série de dificuldades, tais como a pobreza e o desemprego. Segundo um estudo sobre vulnerabilidade realizado em 2015, mais de 1,5 milhão de libaneses vivem abaixo da linha da pobreza em 251 localidades que são consideradas “mais vulneráveis”. Nestas localidades, convivem os libaneses com menor poder aquisitivo, mas também a maioria dos refugiados sírios, ambos vulneráveis. As tensões acentuam-se e as comunidades vivem separadas. Como contornar esta situação e criar laços positivos entre as comunidades? Será que crianças e jovens podem desempenhar um papel neste processo?

Mariam Hazef compartilha deste sonho. Hafez é a coordenadora do programa “Esporte para o desenvolvimento” implementado pela organização Hoops em parceria com a UNICEF. O mesmo é composto de atividades desportivas e educacionais que combinam atividade física, muitos jogos e brincadeiras. Connection Beirut realiza entrevista sobre esse importante projeto, que só em 2015, mobilizou 10,000 jovens libaneses e sírios (idade entre 10 – 17 anos) em todas as regiões e promete mobilizar muitos mais em 2016.

Basta chegar a um campo de esporte Hoops e testemunhar como crianças e jovens brincam e jogam juntos para sentirmos a energia positiva do que pode ser uma “comunidade saudável”. Para além do exercício físico e o bem-estar mental, os jogos de grupo reforçam valores importantes como o respeito das regras do jogo e o que é justo, ou respeito por si mesmo, seus companheiros e seus adversários. O princípio é simples: nos jogos desportivos é normal discordar seja com os outros jogadores, treinador ou árbitro. No entanto, há que saber gerir as situações de conflito quando elas surgem de forma construtiva. Num contexto de tensão estes incidentes facilmente podem levar à violência. Como ajudar os jovens a enfrentarem estas situações? Será que a aprendizagem da competência social pode fazer a diferença e contribuir para uma cultura de paz entre as comunidades?

Nas palavras de uma criança, “aprendemos as nossas diferenças, e aprendemos a trabalhar juntos como uma equipe para alcançar nossos objetivos. Somos uma comunidade com uma linguagem comum, Esporte!” ”

 

A organização Hoops treina treinadores, fornece equipamentos desportivos para as instalações desportivas locais, mas também para os campos de refugiados. O pacote de serviços inclui aconselhamento e sensibilização em temas de saúde e higiene, proteção da criança e violência de género para crianças, jovens e pais.

O programa apostou na capacitação de 200 jovens (idades entre 15-18 anos) que agora organizam atividades desportivas dentro de seus campos; e outros 400 jovens que estão a ser formados para serem animadores sociais na perspectiva de integrarem os programas de educação psicossociais e educação não-formal. A ideia é criar embaixadores de mensagens positivas que são um bom exemplo e agem dentro das suas comunidades.

 

Este programa nos dá a possibilidade de conhecer um pouco a complexidade de ser adolescente no Líbano. As dificuldades são muitas! Pobreza, violência ou conflito deixam marcas profundas, especialmente nesta fase complicada de crescimento e mudanças biológicas, psicológicas e emocionais. O programa oferece um espaço de lazer e reflexão, mas muitos são os jovens que não podem usufruir plenamente do mesmo.

A maioria dos adolescentes (14 -17) trabalham, e muitos casam precocemente. Entre os sírios, a mudança frequente de região de residência leva a muitas desistências.

Assinalamos ainda uma resistência cultural em relação a certos temas como a educação para a saúde como as doenças sexualmente transmissíveis (DST), AIDS, abuso ou a violência doméstica. Por último, segundo os treinadores, a maioria dos jovens não têm roupas e sapatos apropriados para fazer as atividades físicas, sendo uma situação constrangedora de “vergonha”.

Esta iniciativa utiliza o esporte para educar e inspirar jovens de todas as origens. Dada a sua presença ao nível de todo o território nacional, convidamos os leitores a partilharem e apoiarem este projeto.

Por Patricia Oliveira

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