Associamos o inverno no Líbano com as icônicas montanhas brancas, no entanto nos dias de hoje nos perguntamos, como é possível sobreviver às tempestades de neve quando se vive em tendas de plástico no meio do campo? Para estas pessoas, enfrentar as doenças associadas ao frio é uma questão de sobrevivência e pode levar até a morte.

Segundo um relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR, Maio 2015) 55% dos 1,5 milhões de refugiados sírios residentes no Líbano vivem em habitações precárias tais como assentamentos informais ou acampamentos (conhecidos como Mukraiamat em árabe), mas também edifícios inacabados, garagens, armazéns, locais de trabalho, estábulos de animais e abrigos feitos à mão.

Ao mesmo tempo, registra-se um aumento no número de famílias libanesas submetidas a várias privações, que podem afetar a qualidade do seu alojamento. Para eles  o inverno também não é um momento de conforto e aconchego.

No contexto da presente emergência, que medidas estão sendo planejadas para ajudar estas pessoas? Como garantir que os que estão em maior necessidade recebam apoio?  E as comunidades locais vulneráveis como são auxiliadas ?

Connection Beirut pesquisou este assunto e recorreu a Neil Brighton (NB),  especialista em Alojamento da Organização Conselho Norueguês de Refugiados (NRC). Essa organização  tem como objetivo garantir que as famílias de refugiados vulneráveis, que residem nesses alojamentos, que devam cumprir com os padrões mínimos de emergência, e que tenham acesso a serviços de água e saneamento.

DRC picture  As suas ações são realizadas em coordenação com o ACNUR, a qual canaliza outras formas de assistência para as pessoas afetadas entre elas a disponibilização de dinheiro. A maior parte do montante é utilizado para pagamento da renda do alojamento.

As regiões que têm climas mais austeros existem fundos limitados de ajuda a compra de combustível, alimentos e outros itens de inverno. Várias agências distribuem itens como cobertores, fogões, roupas de inverno e kits de resistência a condições atmosféricas.

Como podemos saber se a assistência humanitária está suprindo as necessidades daqueles que mais precisam de apoio? De acordo com NB, foi realizada uma pesquisa nacional que fornece dados sobre refugiados e comunidades locais vulneráveis nas áreas das necessidades básicas, educação, segurança alimentar, saúde, proteção, meios de subsistência e água, saneamento e higiene.

Estes resultados permitem que as agências identifiquem aqueles que mais precisam de apoio e, desta forma podem priorizar a assistência. NB informou que as medidas de preparação para o inverno foram preconizadas essencialmente paras as áreas com clima mais severo, como o Norte e o Bekaa, onde as temperaturas atingem menos 15 graus.

E as comunidades locais beneficiam de apoio? Geralmente, a ajuda humanitária tem o forte potencial de beneficiar o desenvolvimento local a longo prazo. Por exemplo, em Choeifat NRC perfurou um novo poço para complementar uma rede existente e desta forma aumentou a oferta de água para todos os residentes.

Além disso, NB explicou que em 2016 as agências planejaram apoiar famílias libanesas extremamente vulneráveis através da distribuição de cupons de dinheiro mensais. Vários proprietários libaneses têm beneficiado dos programas de agências de ajuda humanitária, cujo financiamento possibilita a reabilitação de casas, edifícios existentes e casas inacabadas. Em contra partida, os mesmos são disponibilizados para famílias de refugiados gratuitamente ou por uma renda reduzida por um período fixo de tempo.

A redução da ajuda humanitária afeta muitos refugiados, pois compromete a capacidade de muitos satisfazerem as necessidades mais básicas de sobrevivência, como dormir sob um telhado. Depois de mais de quatro anos de guerra, muitos já não tem poupanças, contraem novas dívidas e naturalmente procuram alojamentos mais baratos como os acampamentos onde estão expostos aos elementos da natureza.

untitledNão tendo outras formas de subsistência, muitos dependem dos seus filhos para sustentar a família. Nas ruas de Beirute é normal ver crianças vendendo flores, engraxando sapatos, trabalhando em barracas de frutas. A resposta humanitária no Líbano continua a ser dominada pela tentativa de responder às necessidades básicas de sobrevivência de uma grande população de refugiados. Apesar do enorme esforço feito pelo Líbano para acolher esta população, os limitados recursos não permitem responder a todas as necessidades.

 

Por Patrícia Oliveira

 

 

 

 

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