O Líbano sempre foi palco de muita história durante os últimos milênios, mitos foram desmentidos e verdades foram comprovadas. Porém o famoso dilema libanês da origem do Líbano é motivo de debate até hoje, não apenas dentro do Líbano, mas sim no mundo todo. Existem debates e palestras em universidades do mundo todo que debatem a origem do Líbano, afinal o Líbano é fenício ou árabe?!
Esse minúsculo país que é o Líbano tem uma história de milênios de existência cientificamente comprovado, o Líbano é um país continuamente habitado por muitos milênios, e o fato de que o Líbano tem uma origem fenícia é indiscutível. Os fenícios foram os primeiros habitantes desse país e deixaram rastros, cultura e seu legado impregnado na cultura libanesa.
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Phoenician alphabet

Atualmente o Líbano faz parte da Liga Árabe, seu idioma oficial é o árabe, mas o fato dele ser um país da Liga Árabe que fala árabe faz do Líbano ser árabe? Complicado né. Árabes de verdade são os beduínos do deserto da Península Arábica. O Líbano sempre foi um país fenício, de origem fenícia, com pessoas fenícias e cultura fenícia, e isso não se pode negar, porém ele foi conquistado por muitas civilizações durante a história e isso de um certo modo pode ter apagado rastros fenícios, mas o libanês atual grita alto se orgulhando de sua cultura fenícia, sim o Líbano tem uma cultura fenícia e não árabe, e isso é totalmente notável.
A cultura libanesa se diferencia da cultura de outros países árabes, tem uma diversidade religiosa incrível e também uma diversidade de línguas maravilhosas. Alguns anos atrás foram feitos exames de sangue em libaneses para saber se são árabes ou fenícios, e a grande maioria carrega gene fenício, mesmo depois de milênios. Cientificamente, o libanês é mais relacionado à judeus e hebreus do que com árabes da Península Arábica.
O árabe é uma língua “recente” no Líbano, o árabe não é o idioma de origem do Líbano, ele foi trazido pelos árabes da Península Arábica durante as conquistas do império islâmico, na época o Líbano era majoritariamente habitado por judeus e cristãos e o aramaico era a língua falada no Líbano junto à outros dialetos da antiga Cananéia.
Mesmo depois de séculos dos muçulmanos árabes terem conquistado o Líbano, o árabe não era falado por aqui pela maioria da população. Ser fenício não é ter uma certa religião, você pode ser fenício muçulmano ou fenício cristão, ser fenício significa pertencer a raça fenícia. Cidades libanesas são extremamente importantes na história fenícia como Byblos onde o primeiro alfabeto da humanidade foi criado e também a cidade de Batroün onde está o mural fenício, um mural esculpido pelos fenícios há milênios atrás na beira no Mediterrâneo.
Atualmente grande parte dos libaneses acreditam que o Líbano apenas faz parte do mundo árabe porque sua localização geográfica ajuda nisso, e também pelo fato de falarem o árabe como idioma oficial, porém os libaneses gostam de ser chamados de fenícios e não de árabes, é claro que não são todos os libaneses que apoiam ou concordam com a ideia de serem fenícios, mas a grande maioria apoia e concorda.
Praticamente todos os passaportes dos países árabes está escrito por exemplo “República Árabe do Egito”, “República Árabe da Síria”, “Reino Árabe Saudita”, exceto o Líbano que está escrito “República do Líbano” com o desenho do cedro, o mesmo cedro que deu vida ao império fenício e fez a antiga fenícia prosperar.
Mesmo depois de milênios, o orgulho fenício ainda existe nas margens leste do Mediterrâneo, nas mesmas margens que a sabedoria humana floresceu com invenções e descobertas fenícias, que consequentemente incentivaram outras centenas de civilizações a prosperar.

por Ibrahim Smidi

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