Elas ainda representam um grupo muito pequeno e inexpressivo no quadro político do país, em relação aos homens. Ainda que existam ONGs especializadas e um Conselho Libanês da Mulher que já tenha apresentado um pleito de representatividade igualitária de gêneros na política, o governo continua não expressando muita atenção às reivindicações femininas.
 
Dos 18 partidos políticos no Líbano, todos liderados por facções religiosas, apenas 7 partidos, em sua maioria composto por homens, dominam a política do país. As mulheres que chefiam, ou exercem algum cargo político representam apenas 3,1% do governo. Uma explícita distinção de gêneros, que deixa o Líbano atrás do Kuwait (6,2%) e da Jordânia (12%) e se encontra na mesma proporção “democrática” que o governo do Irã.
 
Dos 128 parlamentares libaneses, apenas 4 mulheres se encontram entre eles; um reflexo da liderança suprema de uma sociedade altamente patriarcal, que continua a discriminar, calar e excluir a participação feminina, bem como as atividades e iniciativas de seus grupos representativos nas principais e mais complexas decisões políticas do país.
 
As mulheres que compõem o parlamento libanês atualmente são:
– Sethrida Geagea, representante da região de Bcharre, com apoio do partido “Forças Libanesas”, liderado por seu marido, Samir Geagea;
– Gilberte Zwein, representante para a região de Kesserwan, com apoio do partido “Mudança e Reforma”, liderado pelo General Michel Aoun;
– Bahia Hariri, representante para a região de Saida, com o apoio do partido sunita “Movimento Futuro”;
– Nayla Tueni, representante para Beirute, com o apoio dos gregos ortodoxos.
 
Há controvérsias, mas a maioria delas só chegou ao parlamento por fazer parte das famílias políticas dominantes, e por terem tido seus representantes mortos em atentados. Essa representatividade garante a transição dos partidos até que um novo membro da família possa assumir o referido cargo.
 
Há quem conteste, porém, os casos abaixo são fatos na história política do país:
– Nayla Moawad, esposa do ex-presidente Rene Moawad, morto numa explosão em 1989. Ela se tornou membro do parlamento em 1991, antes de assumir o Ministério dos Assuntos Sociais, em 2005.
– Bahia Hariri, irmã do ex-primeiro ministro Rafic Hariri, morto numa explosão em 2005. Bahia foi uma possível candidata ao cargo de primeiro ministro.
– Nayla Tueni, filha do ex-parlamentar Gebran Tueni, morto numa explosão em 2005.
– Sethrida Geagea, esposa do líder das Forças Libanesas, Samir Geagea, assumiu o cargo político do marido, quando ele foi condenado a 11 anos de prisão durante a ocupação síria.
 
No entanto, esse quadro de desigualdade de gêneros na representação do governo pode ser alterado no futuro. O crescente interesse de mulheres em ocupar cargos políticos demonstra o intuito de modernizar e mudar o sistema. Porém as associações femininas existentes não são muito ativas, ou trabalham em conjunto, o que acaba retardando e atrasando o processo de interesse feminino coletivo. É preciso uma mobilização de pressão maior por parte das mulheres libanesas sob o sistema atual, para exigir o direito de desempenhar um papel mais ativo no processo de tomadas de decisões do país.
 
Em contrapartida, no setor do empreendedorismo, nas universidades, no mercado de trabalho e outros setores, o aumento de mulheres que se destacam é crescente, e mostra que a nova geração de mulheres libanesas não apenas almeja a igualdade de gêneros, como também está correndo atrás de seus interesses e lutando contra o sistema conservador patriarcal. E o que é mais surpreendente: com o apoio de muitos homens! A nova geração no Líbano possui muitas ideias inovadoras e uma mente mais aberta, mas ainda enfrentam a tradição e os costumes socioculturais patriarcais da velha geração, que ainda se encontra no poder.
 
Fora do campo político, existem diversas outras mulheres, em diversos outros segmentos, que também influenciam a sociedade libanesa e que vêm ganhando cada vez mais destaque no país por seus feitos. Destacarei apenas algumas dessas mulheres, pois a lista é longa, e infelizmente não há como mencionar todas.
 
 
Mona Abou Hamzeh
Apresentadora de um dos mais famosos talk shows do país, Mona lidera com charme e inteligência o horário nobre da TV libanesa. No ano passado, diante da inesperada e trágica situação pela qual passou, tendo seu marido envolvido num escândalo político, ela demonstrou o tamanho de sua força ao sustentar a situação de forma impecável, ganhando assim, mais admiração da sociedade.
 
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Dima Sadek
Ancora de um dos principais jornais do horário nobre na principal emissora de TV libanesa, além de apresentadora de seu próprio talk show sobre política. É famosa por enfrentar com firmeza questões difíceis ao vivo e ter a coragem de tecer aos seus convidados uma boa dose de verdades.
 
Nadine Labaki
Admirada e respeitada atriz e cineasta, Nadine atuou em diversas produções libanesas mas acabou se consagrando de fato como diretora de suas próprias produções, “Caramelo”, e “Pra onde iremos agora?”. Em suas produções, Nadine aborda a cultura libanesa numa linguagem única, engraçada, e tocante ao mesmo tempo. Seu mais recente filme é “Rio, eu te amo”, uma produção gravada no Brasil.
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Nancy Ajram
Umas das cantoras mais influentes e conhecidas do Oriente Médio, a terceira de maior fama no cenário musical do país e a que possui mais visualizações em seus vídeos do YouTube. Além de lançar músicas que se tornam hits de sucesso um após o outro e ser jurada no American Idol árabe, Nancy Ajram ainda é um exemplo de humanidade e altruísmo. Seu constante apoio ao exército libanês, às mulheres, crianças, e instituições de caridade, concedeu-lhe o título de Embaixadora da Boa Vontade da UNICEF.
 
Joumana Haddad
Jornalista, escritora e uma das mais importantes vozes femininas no país em sua constante defesa em prol da emancipação e dos direitos civis das mulheres na sociedade.
 

Milan, Italy, May 30, 2013. Joumana Haddad, Lebanese writer, journalist and poet born in Beirut in 1970. Joumana is the head of the cultural pages for the prestigious An Nahar newspaper, as well as the editor-in-chief of Jasad magazine, a controversial Arabic magazine specialized in the literature and arts of the body. She is working as an instructor at Lebanese American University.  Her latest book, translated in Italian and published by Mondadori, is "Superman is an arab".

Rima Karaki
A jornalista e apresentadora de TV da emissora de Al Jadeed ganhou destaque na mídia internacional recentemente, ao cortar o áudio de seu entrevistado, o sheik islâmico Hani A- Sibai, durante uma entrevista ao vivo, após o referido sheik ter lhe faltado com o respeito no meio da entrevista, mandando-a calar a boca de forma grosseira e sexista, insinuando que era ultrajante para ele ser entrevistado por ela, uma mulher.
 
por Claudinha Rahme

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