Meus pais, Farid Abussamra (mas dizem que no Líbano se escrevia Abu Samra e quando  chegou em São Paulo, especificamente na Hospedaria do Imigrante, juntaram os dois sobrenomes e ainda acrescentaram um s). Minha mãe se chamava Loris Farha Abussamra.
Meu pai nasceu em “Ibel Saki”- 06 de junho de 1904. Minha mãe nasceu em “Judaideth Marjeon”- 15 de maio de 1913.Meu pai era filho de Tomás Abu Samra e Luisa Abu Samra. Eram em seis irmãos. Quatro homens e duas mulheres. Veio para o Brasil assim que se formou na Universidade Americana de Beirute. Cursou Matemática.
Minha mãe chegou muito pequena juntamente com os irmãos mais velhos. Eram em oito. Quatro homens e quatro mulheres. Somente uma tia permaneceu no Líbano.
Meu pai como minha mãe assim que chegaram em terras brasileiras foram morar no interior do Estado de São Paulo. Ele comerciante. Ela nunca trabalhou por ser a caçula. Muito mimada.
Casamento Loris e Farid (2)

Loris Farha Abussamra e Farid Abussamra

Mas os dois não se conheciam até o dia, já em idade para se casarem, em que foram  apresentados por amigos em comum. Namoraram e se casaram em 17 de dezembro de 1944.
Assim “nasceu” a minha família. Eles tiveram quatro filhos. Três mulheres com nomes bem a princesas e rainhas: Elizabete, Nanci e Margarete. E um príncipe: Omar.
 
Cresci ouvindo o meu pai contar que nos intervalos das aulas subia as montanhas para saborear o seu lanche (as delícias da gastronomia árabe) e apreciar a beleza dos cedros. Isso ficou no meu imaginário infantil que um dia irei repetir essa mesma façanha.
Loris com os irmaos Bader, Halha, Feres, Abdala, Halim e Kalim Farha

Loris com os irmaos Bader, Halha, Feres, Abdala, Halim e Kalim Farha

 

Assim fui crescendo em dois mundos: brasileiro e libanês. As raízes são sólidas. O Líbano “mora” dentro de casa através da culinária, da literatura, das artes, da música, da moda (admiro e sou fã, mesmo não os conhecendo pessoalmente dos estilistas libaneses Elie Saad e Zuhair Murad).

E foi crescendo nesse universo que imaginava, desde pequena, passeando pela orla de Beirute, conhecendo as plantações de damasco, tâmara, figo, romãs. Visitando as montanhas com seus cedros. Os museus e todas as cidades do Líbano.
Com essa curiosidade, resolvi cursar a faculdade de Jornalismo e depois de Fotografia.
Desejava escrever sobre o país dos meus antepassados. Fotografar o Líbano em seus pormenores. Era o ponto de partida para a minha vida profissional. Ainda não concretizei esse sonho mas acredito que seja em breve.
_DSC7615 - CopiaMe formei em Jornalismo em 1977  e em Fotografia em 1978. Comecei estagiando na TV Globo de São Paulo. Depois fui estagiar no Jornal O Estado de S. Paulo. Freelance nos jornais O Globo e Jornal do Brasil (sucursais em São Paulo). Passei pelas revistas Manchete, Fatos & Fotos, Isto É, Isto É Gente e tantas outras. Tive assessoria de imprensa entre os clientes Kia Motors, Festival de Inverno de Campos de Jordão, decoradores, arquitetos e escritores.
 
Mas a imagem diz muito. O ato de fotografar tem uma importância vital em minha vida como o ar que respiro. A energia que há quando estou fotografando é indescritível. Não importa o que. Amo fotografar natureza, pessoas – os bebês até a geração mais sábias ( como dizem os da terceira idade ), gastronomia, moda e desenvolver projetos autorais.
Consul Kabalan e Margareth Abussamra na Festa de Independência do Líbano em Sao Paulo

Consul Kabalan e Margareth Abussamra na Festa de Independência do Líbano em Sao Paulo

E os desafios e sonhos que ainda estão por vim são de levar as minhas obras para vários lugares, através de exposições, de artigos em revistas, jornais, sites……. E fotografar o Líbano com os olhos de filha de imigrantes que cresceu ouvindo estórias apaixonante sobre a “Suiça do Oriente”, e trazer todo o material para o Brasil a fim de mostrar que VALE MUITO CONHECER O LÍBANO.

1-4Líbano de dois imigrantes que sempre tiveram o maior orgulho de sua pátria, de sua bandeira, de suas origens. Mesmo longe da Terra Natal, nunca deixaram de pronunciar o árabe. Fortes, determinados, batalhadores, coração sempre aberto para receber em casa todas as pessoas e na mesa muita fartura da culinária. Mas o legado que deixaram para os filhos: caráter, respeito pelo próximo e a fé em Deus. Assim damos continuidade na história da Família Farha Abussamra em terras brasileiras.
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Por Margareth Abussamra
Fotógrafa
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megabussamra@uol.com.br

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