Este mês nosso destaque de sucesso é o jornalista Alexandre Carvalho dos Santos, autor do livro “Inveja: como ela mudou a história do mundo”, da Editora Leya. Alexandre Carvalho é um reconhecido jornalista do Brasil, escreve para revistas de renome, como a Superinteressante e a Vida Simples. Além de editor de publicações de sucesso, como o especial “Os 101 Melhores Filmes da História do Cinema” (Editora Abril), foi criador da revista de cinema “ Paisà” e colunista da revista “ Criativa”. foto 1

Alexandre concedeu entrevista para a Connection Beirut, na qual nos ajuda a descobrir como a inveja altera o comportamento humano e nos esclarece os benefícios e malefícios desse sentimento tão forte e indesejado – porém sempre presente na vida cotidiana.

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C. B: Você poderia nos contar como foi a preparação para escrever o livro?

A.C: Olha, não foi fácil. Pelo seguinte: o livro é a estreia de uma coleção da editora LeYa sobre como os sete pecados capitais influenciaram a história da humanidade. Só que a inveja é justamente o único pecado dessa lista que ninguém confessa. Você diz abertamente que está repetindo o prato de feijoada por “gula”, que deixou o trabalho de casa para mais tarde por “preguiça”, que está morrendo de raiva (“ira”) do seu chefe… mas ninguém diz que tem inveja de um parente, amigo ou conhecido. Basicamente porque, de maneira geral, a inveja implica um sentimento negativo e até perverso, uma confissão de inferioridade e um desejo de que o outro se dê mal na vida. E isso, apesar de ser absolutamente humano, parece coisa de psicopata. Portanto, os fatos históricos relacionados à inveja precisam ser pesquisados mais a fundo, até para que não sejam confundidos com uma antipatia, uma raiva específica ou mesmo uma admiração. Os antissemitas na Alemanha nazista evitaram falar claramente que sentiam inveja da ascensão econômica dos judeus naquele período. Mas os fatos, como exponho no livro, deixam isso bastante evidente. Falando nos tempos atuais, pouca gente identifica que se sente mal quando entra no Facebook por ver as fotos dos amigos fazendo viagens fantásticas, comendo nos melhores restaurantes, ou com a barriga tanquinho depois de meses de academia. Mas um estudo provou que quatro em cada dez pessoas que usam a rede social ficam com depressão por causa de inveja.

C.B: Quantos livros você utilizou para a base do seu projeto?

A.C: Li uns 50 livros nessa pesquisa, além de mergulhar em sites de estudos científicos. Levei um ano e meio ao todo, embora com alguma variação de ritmo ao longo desse tempo. Como sou colaborador de revistas como a Superinteressante e a Vida Simples, entre outras, encontrar o tempo apropriado para me dedicar ao livro foi sempre um desafio.

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Em entrevista ao Jô Soares, apresentando o livro Inveja

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No Jô Soares, apresentando o livro ” Inveja”

C.B. Quando você aceitou realizar o livro sobre inveja, não lhe passou pela cabeça algo sobre a inveja que iria deixar nos seus colegas que tiveram a mesma oportunidade, porém não tiveram o mesmo sucesso? Digo isso tendo como exemplo o pesquisador Carlos Chagas, que você cita no livro que perdeu a indicação ao prêmio Nobel por conta da inveja de seus próprios colegas, cientistas brasileiros.

A.C: Bom, é só meu primeiro livro. Então, acho que ainda preciso comer muito feijão como escritor para provocar inveja nos meus pares. Mas, sim, você percebe um sentimento invejoso em uma ou outra pessoa próxima quando diz que concluiu uma realização notória, como é o caso de escrever um livro. Comigo não foi diferente.

C.B: Você consegue demonstrar que existe um lado bom da inveja, apesar de ser vista por muitas pessoas como um sentimento negativo, e seu livro abrange acontecimentos históricos relacionados à inveja que vão desde a Grécia antiga aos dias de hoje, passando pela Alemanha de Hitler. Você realmente acredita que a inveja impulsiona uma pessoa a obter êxito ou puxar o tapete de alguém?

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Entrevista a rádio Transamérica sobre o livro Inveja

A.C: Sim, com certeza. No livro eu exponho a relação de inveja recíproca entre os beatles John Lennon e Paul McCartney, que resultou em canções pop geniais e na banda mais bem-sucedida da história da música. Esse é um caso típico de “inveja benigna”, um sentimento identificado em estudos científicos e que, embora envolva a dor de uma percepção de inferioridade na comparação com alguém (da mesma forma que a inveja do mal), não implica hostilidade (você não deseja que a pessoa invejada seja prejudicada), e ao mesmo tempo motiva o invejoso a se esforçar para superar, ou pelo menos igualar, as realizações do outro.

Quanto a puxar o tapete de alguém, essa é a inveja mais emblemática, a maligna, e foi o que motivou, por exemplo, médicos brasileiros a menosprezar e até caluniar a grande realização de Carlos Chagas, que foi a descoberta do Mal de Chagas – um caso raro na história da medicina em que o cientista descobre todo o ciclo de uma doença de uma vez só. Inveja esta que pode ter custado um Prêmio Nobel ao Brasil. E foi também o que levou atenienses a condenar o filósofo Sócrates a beber veneno, entre outros exemplos que apresento no livro, envolvendo desde Michelangelo e Mozart até personagens dos nossos dias, como as estrelas do cinema.

C.B: O Brasil passa por uma crise política e econômica que tem contribuído com a insatisfação, pessimismo e a baixa autoestima do brasileiro quanto a seu país. Você, em seu livro, levanta muito bem a bandeira do patriotismo brasileiro. Considerando que a 4a edição de nossa revista tem como tema principal a Educação, como você enxerga a solução para o progresso da nação brasileira e qual seria a importância da educação no crescimento de um povo?

A.C: Sem educação, não há crescimento – econômico, intelectual, comportamental. Está aí uma inveja benigna que podemos ou deveríamos ter em relação a países mais desenvolvidos do que o nosso. A educação e a leitura são caminhos para que a pessoa se liberte de um destino que uma origem humilde ou uma comunidade violenta poderiam estabelecer para ela. Ou seja, além de uma evolução coletiva, a educação proporciona uma revolução pessoal. Embora a inveja seja um sentimento absolutamente democrático – atingindo pobres e ricos –, quem teve acesso ou buscou uma boa educação ao longo da vida tende a ter mais oportunidades, e a ser mais invejado que invejoso.

“Inveja: como ela mudou a história do mundo”, por Alexandre Carvalho. Editora Leya, 2015, Volume I, Sete Pecados.

O livro está à venda em todas as livrarias do Brasil e, se você estiver no Líbano, leia online e aprimore seu português e seu conhecimento. Basta comprar o livro nos sites que comercializam livros no Brasil, entre eles o site Amazon, Livraria Saraiva e Livraria Cultura.

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Se comprou, tenha uma boa leitura, ou morra de inveja!

Por Viviane Carvalho

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Maurício Horta que escreveu o livro Luxúria e Alexandre Carvalho durante o lançamento do Livro Inveja na Livraria Cultura em São Paulo

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Alexandre Versignassi (coordenador da coleção Sete Pecados e redator-chefe da Revista Superinteressante), Juliana Falcon e Tainã Bispo( editora da Leya)

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