Existe um orgulho nacional no sistema de ensino libanês o qual é reconhecido como sendo entre os melhores da região. Para quaisquer pais, uma boa educação garante futuro melhor para os seus filhos. Neste artigo a Connection Beirut expõe esclarecimentos a respeito educação no Líbano, quais as escolhas disponíveis, e quem são os usuários no sentido de compreender melhor esta sociedade.

No Líbano, a taxa de alfabetização de adultos é de 89,6%. 54,2% da população tem pelo menos algum nível de educação secundária. A taxa de matrícula na educação primária é de cerca de 95% e a paridade de gênero é quase uma realidade. Como o inglês ou francês com o árabe é ensinado desde os primeiros anos na escola, existe um ambiente multilinguístico nas escolas, que aumenta a probabilidade dos estudantes de participarem na sociedade global. Mas qual é a oferta que existe?

Quase dois terços das crianças libanesas frequentam escolas particulares o que reflete que o sistema de ensino libanês é altamente privatizado. Estas são consideradas como melhores prestadoras de ensino de qualidade, e são acessíveis à classe economicamente mais favorecida. Entre estas, existem discrepâncias geográficas pois as melhores concentrarem-se principalmente em Beirute e no norte do país.

Aqueles que não podem pagar escolas particulares frequentam escolas públicas. Estas acolhem cerca de 300.000 estudantes libaneses e fazem face a inúmeros problemas como a falta de professores ou infra-estrutura obsoleta, fatores que contribuem para a atual taxa de abandono escolar de 10% a nível primário (USAID2014).Vale a pena mencionar que, segundo o Relatório Educação para Todos elaborado em 2014, na maioria das escolas secundárias existe uma segregação religiosas ao ponto que certas comunidades controlam o que é ensinado nas salas de aula.

Existem escolas que acolhem estudantes das diferentes comunidades onde se proporciona espaços comuns de interação entre estudantes. Este modelo,potencialmente pode ser um meio para construir uma cultura de respeito,compreensão e paz. Este princípio é importante e foi reiterado no Acordo de Taif, o qual reconhece que a educação é um dos meios que leva à reconciliação.

Este panorama difícil tem sido agravado pelo influxo de refugiados sírios. O sistema de educação pública libanesa depara-se com o desafio de  acomodar os cerca de 400.000 estudantes refugiados sírios. A chegada destes estudantes sírios traduz-se na duplicação da demanda de espaços de educação. A tarefa é colossal e os custos técnicos e financeiros são substanciais. Uma série de medidas foram tomadas envolvendo infra-estrutura, recursos humanos, revisão curricular (o currículo sírio é ensinado em árabe), formação de professores, entre outros. Algumas das soluções incluem a organização de turnos duplos em algumas escolas.

Apesar deste esforços, ir à escola ainda não é uma realidade para a maioria das crianças refugiadas já que mais de dois terços continuam sem oportunidades educacionais. Entre os que frequentam a escola, são muitas as dificuldades emocionais de aprendizagem. Muitos destes alunos não frequentaram a escola nos últimos 2 a 4 anos e têm dificuldades ao integrarem-se no ambiente escolar libanês.

As crianças refugiadas sírias deveriam ter seu direito à educação para todos. O apoio a programas de educação formal e informal pode fazer a diferença na vida de uma criança.

Para quem deseja se envolver de uma forma prática, informamos que organizações como a Associação Amel procura voluntários para ensinar inglês ou francês para os refugiados no centro de Haret Hreik (01.278.67501) em Beirute.

Por Patrícia Oliveira

Foto: Daniel Merege

 

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